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Um pouco de nossa História
Nosso Colégio é um dos quatro adscritos à
Universidad Complutense,
cuja finalidade é a divulgação da língua, da cultura e da civilização de outros
países. Os outros são: o Colégio Maior Colombiano Antonio Caro, hoje, fundação
universitária; o Colégio Maior Nossa. Sra. de África e o Colégio Maior Argentino
Nossa. Sra. de Luján. O Colégio Casa do Brasil é também um dos mais antigos,
pois iniciou sua construção em 1960, com a assinatura do Acordo Cultural Brasil-Espanha,
em vigência até hoje, e na mesma data em que a capital brasileira, na época, no
Rio de Janeiro, transferiu-se para Brasília.
Foi inaugurado dois anos mais tarde, iniciando suas atividades em outubro do
mesmo ano, com o inicio do ano acadêmico. A idéia da construção de uma Casa do
Brasil em Madri surgiu com a oportunidade da visita à capital espanhola do
Dr. Jucelino Kubitschek de Oliveira, que, naquele momento, era Presidente do
Brasil. Ao receber os estudantes do seu país que aprimoravam estudos em Madri,
apreciou a necessidade dessa iniciativa cultural. Com o Dr. Kubitschek na alta
Magistratura da nação, o projeto da Casa do Brasil foi desenvolvido pelo
Ministério de Educação e Cultura, onde seu ilustre titular, senhor
Clovis Salgado, constituiu-se em paladino e supervisor dos trabalhos e
providências que, tanto no Brasil como na Espanha, estavam sendo encaminhadas
para que a primeira idéia da Casa brasileira em Madri se transformasse em uma
realidade fecunda.
No dia 7 de agosto de 1959, a Embaixada da Espanha no Rio de Janeiro
comunicou oficialmente ao Ministro de Educação e Cultura o oferecimento feito
pela Junta do Governo da Cidade Universitária de Madri, da doação de um terreno
no recinto universitário para a construção de um Colégio Maior, cujo
proprietário seria o governo brasileiro e que se denominaria Casa do Brasil. O
oferecimento foi submetido à aprovação do Presidente da República, que o aceitou.
Nessa comunicação se sugeria que para contribuir com os gastos da obra, fossem
utilizados os excedentes de café do Instituto Brasileiro do Café, que
doaria à Espanha vinte mil sacos desse produto para seu consumo interior,
compensando seu valor com o pagamento das obras da Casa do Brasil. Foram
artífices desse labor de concretização e sucesso definitivo do projeto no
Brasil, além do Ministro de Educação e Cultura e seus colaboradores, o Instituto
Brasileiro de Cultura Hispânica e o Embaixador espanhol no Rio de Janeiro; em
Madri, o Ministro de Educação Nacional, senhor Rubio y García-Mina e seus
colaboradores, o Embaixador do Brasil, senhor João Pizarro Gabizo de Coelho
Lisboa, a Junta de Governo da Cidade Universitária e o Instituto de Cultura
Hispânica, presidido naquela época por Don Blas Piñar, grande defensor desta
iniciativa. Designou-se o arquiteto brasileiro, Sr. Luis Afonso d’Esgragnolle
Filho, para realizar o anteprojeto da Casa do Brasil e, ao mesmo tempo, dirigir
as obras de construção, transferindo-se para isso a Madri. Junto com o professor
Sr. Leónidas Sobrinho Porto, como representantes do Ministério de Educação e
Cultura do Brasil, tiveram que tratar com as autoridades espanholas sobre as
providências que deveriam ser tomadas em relação à nova Casa.
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Ao mesmo tempo autorizou-se ao embaixador do Brasil na Espanha, Sr. João Pizarro
Gabizo de Coelho Lisboa (por Decreto número 47.295-A, promulgado com data 27 de
novembro de 1959), a receber o terreno doado pelo Governo espanhol, no ato
oficial realizado em Madri no dia 21 de novembro do mesmo ano de 1959. Pelo
acordo ministerial de 4 de setembro de 1959, aprovado pelo Presidente da
República, foi designada a Campanha de Aperfeiçoamento do Pessoal de Ensino
Superior” (CAPES), para “ativar a conta bancária destinada aos pagamentos
motivados pela construção da Casa do Brasil em Madri, encarregando-se a própria
CAPES de todos os trâmites necessários para o cumprimento dos objetivos
propostos”. Cumprindo a ordem ministerial, a CAPES outorgou ao doutor Sr.
Pericles Madureira de Pinho, a representação em todas as disposições do citado
projeto, com o objetivo de controlar do Brasil os trabalhos de construção que se
realizavam em Madri. Ao mesmo tempo que na Espanha, os representantes do
ministério brasileiro de Educação e Cultura ativavam seus contatos com distintas
autoridades relacionadas com a construção da Casa do Brasi, com o objetivo de
passar rapidamente ao início das obras. No Brasil, eram tomadas as medidas
necessárias para se efetuar a venda à Espanha dos excedentes de café
anteriormente descritos.
Assim, no dia 17 de fevereiro de 1960, assinou-se, no Rio de Janeiro, o contrato
entre o Ministério de Educação e Cultura do Brasil e a Comissaria Geral de
Abastecimentos e Transportes da Espanha, representada pelo encarregado de
Negócios da embaixada espanhola, Sr. Eduardo Gasset y Días de Ulzurrun, conde de
Penharrubias, pelo qual se realizava a transação comercial, destinando-se o
dinheiro arrecadado na mencionada venda a costear a obra de construção da Casa
do Brasil na Cidade Universitária madrilena. Assim, foi convocado, na Espanha,
um concurso público para realizar a construção da Casa do Brasil. A comissão
encarregada designou a empresa “Torregrosa, S.A., Empresa Construtora” para
levar a cabo o projeto. Junto com o autor do projeto, o arquiteto Sr. Luis
Afonso d’Escragnolle Filho, e por indicação do ministério espanhol de Educação
Nacional, o arquiteto espanhol Sr. Fernando Moreno Barberá deu assistência
direta e orientou em todos os detalhes construtivos da Casa.
No dia 29 de julho de 1960, o professor Sr. Leónidas Sobrinho Porto assumiu a
direção da “Maison du Bresil”, em Paris, transferindo-se à capital francesa, mas
manteve-se atuante ainda ao lado do arquiteto, senhor d’Escragnolle Filho,
frente às autoridades espanholas, até o mês de março de 1962, quando cessou em
sua função representativa do ministério brasileiro de Educação e Cultura em
Madri. Neste mesmo mês assumiu o cargo de primeiro diretor da Casa do Brasil na
Espanha, o professor Sr. Joaquim da Costa Pinto Netto, que chegou a Madri para
organizar sua administração e preparar seu funcionamento.
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No dia 4 de junho do mesmo ano de 1962, a Casa foi solenemente inaugurada,
presidindo tal evento o ministro espanhol de Educação Nacional, da época, Sr.
Jesús Rubio y García-Mina e o Magnífico Reitor da Universidade do Brasil,
professor Sr. Pedro Calmon de Bittencourt, enviado especial do Governo
brasileiro para assistir à mencionada solenidade. A Missão brasileira do
ministério de Educação e Cultura deveria ter sido presidida pelo titular da
carteira, no momento, Sr. Antônio Ferreira de Oliveira Brito, que,
impossibilitado de fazê-lo por exigências de seu cargo, foi representado pelo
doutor Sr. Pericles Madureira de Pinho, pelo professor Leónidas Sobrinho Porto e
pelo professor Sr. Pedro Calmon de Bittencourt, que presidiu a missão oficial.
Sensacionais sob todos os aspectos, as festas em que brasileiros e espanhóis
juntaram-se e confraternizaram-se para comemorar esta inauguração, contaram com
a presença do ex-ministro, Sr. Clovis Salgado, que, com sua assistência,
confirmou seu grande interesse por uma obra concebida e criada no tempo em que
ocupou a alta direção da educação e da cultura brasileira. 
[Arquitetura]
[Os
Colégios Maiores em Espanha]
[início]
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